O Jovem Aprendiz é um contrato de trabalho especial, criado por lei em 2000, que combina emprego com carteira assinada e curso de formação profissional. A lógica é simples: a empresa contrata o jovem por prazo determinado, com jornada reduzida, e parte do tempo é dedicada a aulas em uma instituição formadora — SENAI, SENAC, CIEE, escolas técnicas ou entidades sem fins lucrativos.
Como empresas de médio e grande porte são obrigadas a manter uma cota de aprendizes, há vagas abertas o ano inteiro em todo o país, em áreas administrativas, comerciais, industriais e de serviços. Para quem tem entre 14 e 24 anos e nunca trabalhou, é a porta de entrada com mais estrutura e mais direitos.
Em resumo
- Quem pode: jovens de 14 a 24 anos que estejam cursando ou tenham concluído o ensino médio (quem não concluiu precisa estar matriculado). Pessoas com deficiência não têm limite de idade.
- Contrato: prazo determinado de até 2 anos, com carteira assinada, FGTS (2%), férias (de preferência nas férias escolares), 13º e vale-transporte.
- Jornada: até 6 horas por dia, incluindo as horas de curso; até 8 horas para quem já concluiu o ensino fundamental, quando o curso está incluído nessa jornada.
- Remuneração: pelo menos o salário mínimo-hora, proporcional às horas trabalhadas — na prática, uma fração do mínimo mensal. Convenções coletivas podem prever mais.
Quem pode ser aprendiz
A lei define a faixa de 14 a 24 anos incompletos. Quem tem entre 14 e 18 precisa estar frequentando a escola (ensino fundamental ou médio). Quem já concluiu o ensino médio pode ser aprendiz até os 24 anos sem estar matriculado. Para pessoas com deficiência, não há limite máximo de idade.
Não é preciso experiência, e a maioria das vagas pede apenas a escolaridade compatível e a idade. Alguns programas dão prioridade a jovens de baixa renda, egressos de programas sociais ou em situação de vulnerabilidade.
Como é o contrato
- Carteira assinada com contrato de aprendizagem, por prazo determinado de no máximo 2 anos (exceto para pessoa com deficiência, que pode ter prazo maior).
- FGTS com alíquota de 2% (em vez dos 8% do contrato comum).
- Férias anuais, que devem coincidir com as férias escolares quando o aprendiz é menor de 18 anos.
- 13º salário, vale-transporte e os demais direitos trabalhistas compatíveis.
- Curso de formação obrigatório, feito na instituição formadora, com frequência exigida — faltar às aulas pode encerrar o contrato.
- Ao final do contrato, a empresa pode efetivar o aprendiz em vaga comum, mas não é obrigada.
Jornada e horários
A jornada máxima é de 6 horas diárias, somando as horas na empresa e as horas de curso. Para quem já concluiu o ensino fundamental, a jornada pode chegar a 8 horas, desde que inclua as horas teóricas. Não há hora extra nem compensação de jornada para aprendizes, e menores de 18 anos não podem trabalhar à noite, em atividade perigosa ou insalubre.
Na prática, o formato mais comum é: quatro dias por semana na empresa e um dia na instituição formadora, ou algumas horas de aula por semana intercaladas. O turno é combinado para não conflitar com a escola.
Quanto ganha um aprendiz
A lei garante o salário mínimo-hora, calculado sobre o mínimo nacional dividido por 220 horas, multiplicado pelas horas contratadas — inclusive as horas de curso. Para uma jornada de 4 horas diárias (cerca de 88 horas mensais), o valor fica em torno de 40% do salário mínimo; para 6 horas, em torno de 60%. Algumas convenções coletivas e empresas pagam mais do que o mínimo legal, e há vale-transporte, muitas vezes vale-alimentação, e em algumas empresas plano de saúde e outros benefícios.
É pouco em valor absoluto, mas com curso incluído, jornada reduzida (que permite continuar estudando) e experiência registrada em carteira — o que muda o currículo para as próximas vagas.
Em que áreas há vagas
As ocupações mais comuns são aprendiz administrativo (auxílio em escritório, RH, financeiro), de logística, de produção industrial, de vendas e atendimento, de manutenção, de tecnologia da informação, de serviços bancários e de saúde (em hospitais e clínicas, em funções de apoio). Grandes redes de varejo, bancos, indústrias, hospitais e empresas de serviços são os maiores contratantes, mas empresas médias de todos os setores também precisam cumprir a cota.
Onde se inscrever
- CIEE (Centro de Integração Empresa-Escola): o maior cadastro de aprendizes do país; inscrição gratuita pelo site, com processos seletivos contínuos.
- SENAI e SENAC: têm programas próprios de aprendizagem industrial e comercial; as vagas ficam nos sites regionais.
- IEL, NUBE, Espro, Rede Cidadã e outras entidades formadoras: cada uma com cadastro próprio; procure “jovem aprendiz + sua cidade”.
- Sites de vagas: filtre por “aprendiz” — muitas empresas anunciam diretamente.
- Sites das empresas: grandes empresas têm páginas de “jovem aprendiz” com inscrição direta e processos seletivos periódicos.
Como conseguir a vaga de aprendiz
Confira se você se encaixa
Idade entre 14 e 24 anos e escolaridade: matriculado no fundamental ou no médio, ou com o médio concluído.
Separe os documentos
RG, CPF, comprovante de residência, declaração de matrícula ou certificado de conclusão, carteira de trabalho digital. Menores de 18 precisam de autorização dos responsáveis.
Cadastre-se nas entidades formadoras
CIEE, SENAI, SENAC e a entidade mais atuante na sua cidade. Preencha o perfil completo — as empresas filtram por escolaridade, bairro e disponibilidade.
Prepare um currículo simples
Uma página com dados, escolaridade, cursos, atividades (voluntariado, esportes, grêmio) e disponibilidade de horário.
Participe dos processos seletivos
Costumam ter dinâmica em grupo, redação ou teste simples e entrevista. Vá com roupa arrumada, chegue cedo e mostre interesse pela empresa.
No contrato, leve o curso a sério
A frequência nas aulas é obrigatória e é avaliada. Aproveite o período para ser lembrado como alguém que a empresa gostaria de efetivar.
Habilidades que fazem diferença
- Vontade de aprender e de receber orientação — é o que as empresas mais avaliam em aprendizes.
- Pontualidade e organização para conciliar escola, empresa e curso.
- Comunicação: cumprimentar, ouvir e perguntar com clareza.
- Informática básica e familiaridade com e-mail e sistemas simples.
- Postura profissional: roupa adequada, celular guardado, respeito a regras e horários.
Por onde começar
Se você tem entre 14 e 24 anos, faça hoje o cadastro no CIEE e no SENAI ou SENAC da sua região, com o perfil completo. Depois, pesquise “jovem aprendiz” no site de duas ou três grandes empresas da sua cidade — muitas têm inscrição direta.
Atenção
O contrato de aprendizagem tem regras próprias: jornada limitada, sem hora extra, sem trabalho noturno para menores e curso obrigatório. Empresa que usa o aprendiz como funcionário comum, exige horas além do contrato ou não libera para o curso está descumprindo a lei — nesse caso, procure a entidade formadora ou o Ministério do Trabalho.
Perguntas frequentes
Aprendiz tem carteira assinada?
Sim. É um contrato de trabalho registrado na carteira, com FGTS (2%), férias, 13º e contribuição ao INSS. O tempo conta como experiência profissional e para a aposentadoria.
Posso ser aprendiz e estagiário ao mesmo tempo?
Não é recomendável e, na prática, as jornadas não permitem. O aprendiz já tem jornada limitada que inclui curso; acumular estágio ultrapassaria o limite e prejudicaria a escola.
Quanto tempo dura o contrato?
No máximo dois anos. Ao final, a empresa pode efetivar em contrato comum, e o aprendiz pode buscar outra vaga com a experiência registrada. Não é possível fazer um segundo contrato de aprendizagem na mesma função.
Aprendiz pode ser demitido?
Só nas hipóteses previstas na lei: fim do prazo, desempenho insuficiente ou inadaptação, falta disciplinar grave, faltas injustificadas à escola que levem à perda do ano, ou a pedido do próprio aprendiz. Fora disso, a rescisão antecipada é irregular.
Tenho 25 anos. Ainda posso ser aprendiz?
Não, a menos que seja pessoa com deficiência. Aos 25 ou mais, as portas de entrada são estágio (se estiver estudando), vagas de auxiliar e assistente, temporários e programas de trainee.
Os valores de salário citados neste blog são faixas aproximadas, reunidas a partir de sites de vagas, pesquisas salariais e pisos de categoria. Eles variam conforme região, porte da empresa, experiência e negociação, e podem mudar com o tempo.
Redação Carreira em Foco
Quem escreve aqui pesquisa cada profissão do jeito que um candidato faria: lê vagas reais, confere pisos e convenções, compara os caminhos de formação e só depois transforma tudo em texto direto, sem jargão de RH e sem propaganda de curso.


