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Primeiro emprego

Jovem Aprendiz: como funciona, quem pode e como conseguir a vaga

O programa de aprendizagem é a porta de entrada mais estruturada para quem tem entre 14 e 24 anos: contrato com carteira assinada, jornada reduzida, curso de formação e direitos garantidos. Veja as regras, o que se recebe e onde se inscrever.

  • Idade: 14 a 24 anos (sem limite para PCD)
  • Jornada: Até 6 horas por dia
  • Remuneração: Salário mínimo-hora, proporcional à jornada
  • Publicado em 4 de setembro de 2026
Jovem Aprendiz: como funciona, quem pode e como conseguir a vaga

O Jovem Aprendiz é um contrato de trabalho especial, criado por lei em 2000, que combina emprego com carteira assinada e curso de formação profissional. A lógica é simples: a empresa contrata o jovem por prazo determinado, com jornada reduzida, e parte do tempo é dedicada a aulas em uma instituição formadora — SENAI, SENAC, CIEE, escolas técnicas ou entidades sem fins lucrativos.

Como empresas de médio e grande porte são obrigadas a manter uma cota de aprendizes, há vagas abertas o ano inteiro em todo o país, em áreas administrativas, comerciais, industriais e de serviços. Para quem tem entre 14 e 24 anos e nunca trabalhou, é a porta de entrada com mais estrutura e mais direitos.

Em resumo

  • Quem pode: jovens de 14 a 24 anos que estejam cursando ou tenham concluído o ensino médio (quem não concluiu precisa estar matriculado). Pessoas com deficiência não têm limite de idade.
  • Contrato: prazo determinado de até 2 anos, com carteira assinada, FGTS (2%), férias (de preferência nas férias escolares), 13º e vale-transporte.
  • Jornada: até 6 horas por dia, incluindo as horas de curso; até 8 horas para quem já concluiu o ensino fundamental, quando o curso está incluído nessa jornada.
  • Remuneração: pelo menos o salário mínimo-hora, proporcional às horas trabalhadas — na prática, uma fração do mínimo mensal. Convenções coletivas podem prever mais.

Quem pode ser aprendiz

A lei define a faixa de 14 a 24 anos incompletos. Quem tem entre 14 e 18 precisa estar frequentando a escola (ensino fundamental ou médio). Quem já concluiu o ensino médio pode ser aprendiz até os 24 anos sem estar matriculado. Para pessoas com deficiência, não há limite máximo de idade.

Não é preciso experiência, e a maioria das vagas pede apenas a escolaridade compatível e a idade. Alguns programas dão prioridade a jovens de baixa renda, egressos de programas sociais ou em situação de vulnerabilidade.

Como é o contrato

Jornada e horários

A jornada máxima é de 6 horas diárias, somando as horas na empresa e as horas de curso. Para quem já concluiu o ensino fundamental, a jornada pode chegar a 8 horas, desde que inclua as horas teóricas. Não há hora extra nem compensação de jornada para aprendizes, e menores de 18 anos não podem trabalhar à noite, em atividade perigosa ou insalubre.

Na prática, o formato mais comum é: quatro dias por semana na empresa e um dia na instituição formadora, ou algumas horas de aula por semana intercaladas. O turno é combinado para não conflitar com a escola.

Quanto ganha um aprendiz

A lei garante o salário mínimo-hora, calculado sobre o mínimo nacional dividido por 220 horas, multiplicado pelas horas contratadas — inclusive as horas de curso. Para uma jornada de 4 horas diárias (cerca de 88 horas mensais), o valor fica em torno de 40% do salário mínimo; para 6 horas, em torno de 60%. Algumas convenções coletivas e empresas pagam mais do que o mínimo legal, e há vale-transporte, muitas vezes vale-alimentação, e em algumas empresas plano de saúde e outros benefícios.

É pouco em valor absoluto, mas com curso incluído, jornada reduzida (que permite continuar estudando) e experiência registrada em carteira — o que muda o currículo para as próximas vagas.

Em que áreas há vagas

As ocupações mais comuns são aprendiz administrativo (auxílio em escritório, RH, financeiro), de logística, de produção industrial, de vendas e atendimento, de manutenção, de tecnologia da informação, de serviços bancários e de saúde (em hospitais e clínicas, em funções de apoio). Grandes redes de varejo, bancos, indústrias, hospitais e empresas de serviços são os maiores contratantes, mas empresas médias de todos os setores também precisam cumprir a cota.

Onde se inscrever

Como conseguir a vaga de aprendiz

  1. Confira se você se encaixa

    Idade entre 14 e 24 anos e escolaridade: matriculado no fundamental ou no médio, ou com o médio concluído.

  2. Separe os documentos

    RG, CPF, comprovante de residência, declaração de matrícula ou certificado de conclusão, carteira de trabalho digital. Menores de 18 precisam de autorização dos responsáveis.

  3. Cadastre-se nas entidades formadoras

    CIEE, SENAI, SENAC e a entidade mais atuante na sua cidade. Preencha o perfil completo — as empresas filtram por escolaridade, bairro e disponibilidade.

  4. Prepare um currículo simples

    Uma página com dados, escolaridade, cursos, atividades (voluntariado, esportes, grêmio) e disponibilidade de horário.

  5. Participe dos processos seletivos

    Costumam ter dinâmica em grupo, redação ou teste simples e entrevista. Vá com roupa arrumada, chegue cedo e mostre interesse pela empresa.

  6. No contrato, leve o curso a sério

    A frequência nas aulas é obrigatória e é avaliada. Aproveite o período para ser lembrado como alguém que a empresa gostaria de efetivar.

Habilidades que fazem diferença

  • Vontade de aprender e de receber orientação — é o que as empresas mais avaliam em aprendizes.
  • Pontualidade e organização para conciliar escola, empresa e curso.
  • Comunicação: cumprimentar, ouvir e perguntar com clareza.
  • Informática básica e familiaridade com e-mail e sistemas simples.
  • Postura profissional: roupa adequada, celular guardado, respeito a regras e horários.

Por onde começar

Se você tem entre 14 e 24 anos, faça hoje o cadastro no CIEE e no SENAI ou SENAC da sua região, com o perfil completo. Depois, pesquise “jovem aprendiz” no site de duas ou três grandes empresas da sua cidade — muitas têm inscrição direta.

Atenção

O contrato de aprendizagem tem regras próprias: jornada limitada, sem hora extra, sem trabalho noturno para menores e curso obrigatório. Empresa que usa o aprendiz como funcionário comum, exige horas além do contrato ou não libera para o curso está descumprindo a lei — nesse caso, procure a entidade formadora ou o Ministério do Trabalho.

Perguntas frequentes

Aprendiz tem carteira assinada?

Sim. É um contrato de trabalho registrado na carteira, com FGTS (2%), férias, 13º e contribuição ao INSS. O tempo conta como experiência profissional e para a aposentadoria.

Posso ser aprendiz e estagiário ao mesmo tempo?

Não é recomendável e, na prática, as jornadas não permitem. O aprendiz já tem jornada limitada que inclui curso; acumular estágio ultrapassaria o limite e prejudicaria a escola.

Quanto tempo dura o contrato?

No máximo dois anos. Ao final, a empresa pode efetivar em contrato comum, e o aprendiz pode buscar outra vaga com a experiência registrada. Não é possível fazer um segundo contrato de aprendizagem na mesma função.

Aprendiz pode ser demitido?

Só nas hipóteses previstas na lei: fim do prazo, desempenho insuficiente ou inadaptação, falta disciplinar grave, faltas injustificadas à escola que levem à perda do ano, ou a pedido do próprio aprendiz. Fora disso, a rescisão antecipada é irregular.

Tenho 25 anos. Ainda posso ser aprendiz?

Não, a menos que seja pessoa com deficiência. Aos 25 ou mais, as portas de entrada são estágio (se estiver estudando), vagas de auxiliar e assistente, temporários e programas de trainee.

Os valores de salário citados neste blog são faixas aproximadas, reunidas a partir de sites de vagas, pesquisas salariais e pisos de categoria. Eles variam conforme região, porte da empresa, experiência e negociação, e podem mudar com o tempo.

Redação Carreira em Foco
Quem escreve aqui pesquisa cada profissão do jeito que um candidato faria: lê vagas reais, confere pisos e convenções, compara os caminhos de formação e só depois transforma tudo em texto direto, sem jargão de RH e sem propaganda de curso.