Toda casa, loja, fábrica e prédio depende de instalação elétrica, e ela precisa ser feita, mantida e consertada por alguém. É por isso que eletricista é uma das profissões técnicas com mais anúncios de vaga o ano inteiro, em cidade grande ou pequena.
É também uma das poucas profissões em que dá para entrar sem faculdade, com um curso relativamente curto, e depois escolher entre a estabilidade da carteira assinada e a liberdade de trabalhar por conta própria. Este guia mostra o que o eletricista faz de verdade, quanto ganha em cada situação e o caminho para começar.
Em resumo
- Não exige faculdade: o caminho comum é um curso profissionalizante de eletricista instalador (SENAI, escolas técnicas ou cursos livres) mais o curso de NR-10.
- A NR-10 é obrigatória para quem trabalha com eletricidade e precisa ser renovada a cada dois anos.
- Faixa salarial CLT costuma ficar entre R$ 2.000 e R$ 3.500 para eletricista predial e entre R$ 3.000 e R$ 5.000 para eletricista industrial ou de manutenção.
- Por conta própria, o ganho depende da quantidade de serviços, mas uma visita técnica costuma ser cobrada entre R$ 100 e R$ 250 e instalações são orçadas por ponto ou por projeto.
O que um eletricista faz no dia a dia
O trabalho varia bastante conforme a área. O eletricista predial ou residencial instala e conserta a parte elétrica de casas, apartamentos e comércios: quadro de distribuição, tomadas, iluminação, chuveiro, ar-condicionado, padrão de entrada. O eletricista industrial cuida de motores, painéis de comando, máquinas e automação dentro de fábricas. O eletricista de manutenção fica fixo em um prédio, hospital, shopping ou condomínio, resolvendo problemas e fazendo inspeções preventivas.
Existem ainda especializações com boa procura: instalador de energia solar fotovoltaica, eletricista de redes de distribuição (trabalho para concessionárias e empreiteiras, em altura) e eletricista automotivo, que é uma profissão à parte, com formação própria.
Quanto ganha um eletricista
Os valores abaixo são faixas aproximadas observadas em anúncios de vaga e pesquisas salariais. Eles mudam conforme a região, o porte da empresa e a experiência, e as convenções coletivas de cada estado definem pisos próprios.
- Eletricista predial ou residencial (CLT): em geral entre R$ 2.000 e R$ 3.500 por mês. Iniciantes ficam na parte de baixo da faixa.
- Eletricista de manutenção (CLT): costuma variar entre R$ 2.500 e R$ 4.500, com adicional de periculosidade de 30% sobre o salário-base em muitas funções, o que faz diferença no fim do mês.
- Eletricista industrial (CLT): a faixa mais comum vai de R$ 3.000 a R$ 5.000, chegando mais alto para quem domina automação e comandos elétricos.
- Autônomo: sem teto fixo. Uma visita técnica costuma custar entre R$ 100 e R$ 250; instalação de chuveiro, tomada ou luminária é cobrada por ponto; reforma elétrica completa é orçada por projeto. O ganho líquido depende de quantos serviços entram e dos custos com ferramenta, deslocamento e impostos.
Adicional de periculosidade: o que é e quem tem direito
A legislação trabalhista prevê adicional de 30% sobre o salário-base para quem trabalha exposto a risco elétrico, conforme as condições definidas em norma regulamentadora. Nem toda função de eletricista recebe automaticamente — depende do laudo da empresa sobre a atividade e o local de trabalho. Na hora de comparar propostas, pergunte se o salário anunciado já inclui o adicional ou não.
Que formação é preciso ter
Não existe exigência de faculdade nem de registro em conselho para o eletricista instalador. O que o mercado pede, e as empresas exigem, é uma combinação de curso profissionalizante e certificação de segurança:
- Curso de eletricista instalador predial: é a porta de entrada. No SENAI e em escolas técnicas costuma ter entre 160 e 200 horas e ensina instalação residencial e comercial, leitura de projeto, dimensionamento de circuitos e normas. Cursos livres em escolas particulares também existem, com carga horária variada.
- NR-10 (Segurança em Instalações e Serviços em Eletricidade): curso básico de 40 horas, obrigatório para qualquer trabalhador que atue com eletricidade. Precisa ser reciclado a cada dois anos. Quem vai trabalhar em alta tensão faz o complementar do Sistema Elétrico de Potência (SEP).
- NR-35 (Trabalho em Altura): exigida para quem sobe em escada, andaime ou poste. Eletricista de redes e instalador de energia solar precisam dela.
- Curso técnico em Eletrotécnica: opcional, mas abre portas. Tem cerca de 1.200 horas, exige ensino médio e dá direito ao registro como técnico industrial, o que permite assinar projetos de pequeno porte e concorrer a vagas com salário maior.
Carteira assinada ou conta própria?
As duas opções são comuns e muitos profissionais alternam entre elas ao longo da carreira. A carteira assinada dá salário fixo, FGTS, férias e, quando cabe, o adicional de periculosidade; em troca, o teto de ganho é o da faixa da função. Por conta própria, o eletricista formaliza-se como MEI (a ocupação está na lista permitida), cobra por serviço e pode ganhar mais em meses bons, mas precisa conquistar clientes, comprar as próprias ferramentas e lidar com meses fracos.
Um caminho frequente é começar registrado, para aprender com profissionais experientes e ganhar confiança, e só depois abrir a própria clientela — muitas vezes mantendo o emprego e atendendo particulares no fim de semana até a agenda encher.
Como entrar na área, passo a passo
Conclua o ensino fundamental (e, se puder, o médio)
Os cursos de eletricista instalador costumam pedir só o fundamental completo, mas o técnico em Eletrotécnica exige ensino médio, e muitas empresas usam o médio completo como filtro nas vagas.
Faça o curso de eletricista instalador
Procure o SENAI da sua região, institutos federais e escolas técnicas estaduais. Há turmas gratuitas ou com bolsa. Prefira cursos com aulas práticas em bancada, não só teoria em vídeo.
Tire a NR-10
Sem ela, nenhuma empresa séria contrata. É um curso curto, oferecido pelo SENAI, escolas de segurança do trabalho e cursos online com prova. Guarde o certificado e anote a data de validade.
Comece como ajudante ou auxiliar
É o cargo de entrada nas empresas de instalação, manutenção e construção civil. Paga menos, mas é onde se aprende o ritmo da obra, a ferramenta e o trabalho em equipe. Seis meses a um ano nessa função costumam bastar para subir a eletricista.
Escolha uma especialização
Depois de um tempo, decida o rumo: industrial (automação, comandos elétricos), energia solar, manutenção predial ou redes. Cada uma tem cursos complementares e salários próprios.
Habilidades que fazem diferença
- Leitura de projeto elétrico e de diagramas: quem interpreta o desenho trabalha mais rápido e erra menos.
- Cálculo básico para dimensionar fiação, disjuntores e carga de circuitos.
- Atenção às normas de segurança — o erro na elétrica custa caro e pode custar a vida.
- Organização e capricho no acabamento: cliente residencial julga o serviço pelo que vê.
- Comunicação clara para explicar o problema e o orçamento a quem não entende de elétrica.
- Disposição física: o trabalho envolve escada, forro, laje e posições desconfortáveis.
Por onde começar
Pesquise hoje as turmas de eletricista instalador no SENAI mais próximo e nas escolas técnicas públicas do seu estado. Enquanto espera a vaga, faça o curso de NR-10 e cadastre-se como ajudante em empresas de instalação e construtoras — é o caminho mais rápido para a primeira experiência.
Atenção
Nunca trabalhe com eletricidade sem treinamento: choque elétrico e arco voltaico causam acidentes graves mesmo em baixa tensão. O curso de NR-10 é exigência legal, não formalidade, e ferramentas isoladas e equipamentos de proteção fazem parte do trabalho todos os dias.
Perguntas frequentes
Eletricista precisa de faculdade?
Não. Para trabalhar como eletricista instalador ou de manutenção basta curso profissionalizante e NR-10. Faculdade (engenharia elétrica) é outra carreira, com outras atribuições e registro no CREA.
Quanto tempo leva para virar eletricista?
O curso básico de instalador leva de três a seis meses, e a NR-10 é feita em uma semana. Somando o período como ajudante, a maioria das pessoas está atuando como eletricista em cerca de um ano.
Eletricista pode ser MEI?
Sim. A ocupação de eletricista de instalações está na lista de atividades permitidas ao MEI, o que facilita emitir nota fiscal para clientes e contribuir para o INSS.
Quanto custa o curso de eletricista?
Há vagas gratuitas em institutos federais, escolas técnicas estaduais e pelo programa de gratuidade do SENAI. Em escolas particulares, os cursos de instalador costumam custar de algumas centenas a pouco mais de mil reais, dependendo da carga horária e da cidade.
Mulheres podem ser eletricistas?
Sim, e a presença feminina na área vem crescendo, inclusive com turmas exclusivas em alguns SENAIs e concessionárias de energia. Os requisitos e os salários são os mesmos.
Os valores de salário citados neste blog são faixas aproximadas, reunidas a partir de sites de vagas, pesquisas salariais e pisos de categoria. Eles variam conforme região, porte da empresa, experiência e negociação, e podem mudar com o tempo.
Redação Carreira em Foco
Quem escreve aqui pesquisa cada profissão do jeito que um candidato faria: lê vagas reais, confere pisos e convenções, compara os caminhos de formação e só depois transforma tudo em texto direto, sem jargão de RH e sem propaganda de curso.


